Começar
o dia sem saber de nada mas agindo como se soubesse de tudo. Doce amargo
queimando na boca e pasta de dente não ajuda. E como vejo? Me vejo correndo,
cada vez mais rápido, tão rápido que não me vejo mais.
Aos
poucos percebo que demonstrar algo é imposível, não existe, rir ou chorar não
significa nada. Expressar o que eu sinto é como pular de uma ponte e ver apenas
a água subindo de acordo com a minha densidade.
Dinossauros
já não tem mais graça, cair já não é tão bom como antes e gritar pode já não
servir mais.
E
como eu me sinto? Me sinto caindo da ponte de que nunca pulei. Cair e nunca
mais ter que levantar, o esforço queima por dentro. Me pedem para me esforçar
mas nunca notaram que esforço é autodestruição.
Quem
se importa? Correr rápido, criar nomes, doces, ter emoção, sentir raiva,
ansiedade, queimar, escrever, espaço, querer. Faça o que quiser, nunca vai ser
o que você pediu.
Faz
tempo que não ando na rua assobiando ou sorrindo, me ver andando enquanto eu
ando sempre fez sentido e agora não faz mais.
Se
sentir feliz com coisas que não fazem o menor dos sentidos, um pedaço de papel
que tem que estar acima de 6,0 na tela do computador é só... nada.
Só
vejo a hora de acabar e ver quem um dia se esforçou tanto, perceber que tanto
esforço não vale nada.
Acho
que tudo é so um sonho, uma caixa de coisas divertidas, ou melhor você é
divertido para as coisas.
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